Votação do impeachment

Se tem uma coisa que 2016 não está é tranquilo nem favorável! É o Estado Islâmico ameaçando o Brasil, planos de franquia para Internet banda larga, aquela votação do Impeachment que eu nem sei por onde começar a comentar..

Mas como o melhor do Brasil é o brasileiro, mesmo no fundo do poço e ainda cavando mais um pouco, a gente perde tudo MENOS a piada.

Primeiro, a ameaça feita pelo Estado Islâmico em NOVEMBRO DE 2015, logo após os ataques em Paris, mas que só agora virou notícia. Pohã, demoraram cinco meses para traduzir o tweet em francês?

Se a Agência Brasileira de Inteligência precisa de todo esse tempo só p/ confirmar que a conta do cara que postou a ameaça é verdadeira, imagina uma resposta a um ataque…

E… Por que a gente? Só porque colocamos a bandeirinha da França na foto do perfil?

Nossa única defesa vai ser essa…

ou essa…

E longe de mim dar sugestão de um possível alvo também, porque com essas coisas não dá p/ fazer piada…

Mas em se falando de Brasília, também não dava p/ deixar de comentar a votação do impeachment neste último domingo (17). Se você não teve paciência para acompanhar o circo a votação que durou apenas metade da minha vida umas 6 horas, vamos a alguns momentos marcantes de quando eu ainda estava prestando atenção:

Teve tanto “Pela minha família, meu filho, minha neta…” que fiquei confusa se era programa da Xuxa ou votação do impeachment.

Teve Namariabraga Cristiane Brasil, filha de Robert Jeff, com a camisa da CBF, votando a favor do impeachment HAHAHAHAHA

Teve Glauber Braga chamando o Cunha de gângster e ainda dizendo que que o “que dá sustentação” a cadeira de presidente da Câmara dos Deputados cheira a “enxofre” HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Melhor fala da noite!

Teve poeta Pedro Cunha confundindo o voto com ciranda: “Na exigência do respeito que carrego por efeito da confiança em mim, voto pela mudança, no compasso da esperança, vamos em frente com a força, voto sim”.

Teve Wladimir Costa que confundiu a votação com micareta e pediu que levantasse a mão quem queria ver a Dilma fora. “Nós votamos sim, e quem vota sim coloca a mão pra cima!”

Teve Bolsomerda que já começou parabenizando Eduardo Cunha e ainda exaltou o Coronel Ustra, comandante do DOI-Codi, primeiro oficial condenado em ação declaratória por sequestro e tortura durante a Ditadura.

“Perderam em 1964, perderam agora em 2016. Pela família e pela inocência das crianças em salas de aula que o PT nunca teve. Contra o comunismo, pela nossa liberdade. Pela memória do Col. Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias do Sul, pelas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo, por Deus acima de tudo, meu voto é sim!”

Teve Jean Wyllys representando cada brasileiro e cuspindo na cara desse bostalhudo;

Não teve  nas palavras no plural;

E também teve muita, mas muita vergonha de acompanhar todo aquele circo, sendo armado por um bandido que ria da cara dos brasileiros a cada voto.

Saudades do macaco Tião

Olá,

Tudo bem? Se você acompanha o noticiário, provavelmente a resposta é um sonoro NÃO, afinal, o que a gente aprende acompanhando as notícias do Brasil e do mundo?

Não importa se você roubou para car#%#@, você será recompensado com um Ministério.

lula

Cospem, cagam e sambam na nossa cabeça e ainda tem quem defenda! Só não zoo essa gente porque anencefalia é triste…

E a entrevista do Bolsonaro p/ documentário da Ellen Page? A bunda dele teve ter inveja de tanta merda que sai de sua boca..

Se você concorda com ele, sinto informar que você ficou p/ trás na escala evolutiva. É mais fácil eu acreditar que esse cara implantou um chip que mata neurônios na cabeça de uma porcentagem da população do que acreditar que, de fato, alguém concorde com os “”””argumentos””” dele.

“Se você estimular desde criança que homossexualidade é normal, a criança vai praticar aquilo” – by Bolsonaro.

Depois dessa vou ali rapidinho…

…pronto, voltei!

Um amigo meu compartilhou isso no Facebook e acho que resume bastante o que essa galerinha precisa aprender:

fig 1

Sério, parem de dar ibope p/ esse bosta! Ele está sempre na mídia porque é polêmico, logo, dá audiência, mas deveriam dar espaço p/ pessoas que de fato tem o que falar e sabem do que falam… nãoéomeucasotambémmasoblogémeuevocêtáaquiporquequer

Essa semana também ficou marcada pela manifestação do dia 13, que como sempre, gerou briga e textão na internet. Eu costumo ficar na minha porque não vale a pena o stress. Ter uma opinião hoje em dia é ofensa pessoal e motivo p/ ser execrado, então evito a dor de cabeça. Mas se tem uma coisa que me irrita é quem acha que se você é contra o governo do PT é automaticamente a favor do Aécio. WTF?

Se a manifestação foi contra a corrupção, tem que lutar para que a Dilma saia, assim como o Temer e Cunha! Saindo um e entrando o outro é trocar 6 por meia dúzia. A mesma coisa se houver outra eleição e elegerem o Aécio.

Só tem uma pessoa nesse país que eu votaria empolgadona e seria eleito com mais de 90% dos votos:

silvio

Por favor, Brasil, vamos às ruas pedindo para que ele se candidate! Quero Bolsa Jequiti! 

 

Mas senão Silvão não quiser, voto nesse:

macaco tião

#VoltaMacacoTião

 

David, Bowie, Alan Rickman e Friends

Toda vez que um artista morre, há uma grande comoção. E uma grande quantidade de bosta por parte daqueles que não o conhecem e destilam sua ignorância nas redes sociais. Mas ao contrário do que muitos podem pensar, os compartilhamentos não são para “aparecer”, modismo, muito menos “só morrer, que vira fã”, é apenas o reflexo do trabalho de uma vida que tocou a tantas pessoas. É uma singela homenagem a alguém que mesmo sem saber da nossa existência, apenas com sua arte conseguiu nos comover, nos alegrar e até mesmo ter uma parte importante em nossas vidas.

David Bowie era um camaleão, um andrógeno, um rebelde, the starman, a heroe. Tão genial que até mesmo em seu último clipe, despediu-se transformando a morte em arte.
30 gifs do David Bowie para assistir ininterruptamente

♫ Oh I’ll be free / Just like that bluebird / Oh I’ll be free / Ain’t that just like me? ♫

Definitivamente, David “foi o contemporâneo do seu tempo”. Vá em paz, Stardust!

E já não bastasse uma despedida, na mesma semana, outro baque: Alan Rickman morreu. (ainda não superei)

snape

Quem cresceu lendo Harry Potter foi tocado de tal forma pela história, que sentimos a morte de cada personagem no livro. Então, quando o ator que deu vida brilhantemente a um dos melhores personagens de J.K. Rowling morre, é como se um pedacinho de toda essa mágica morresse também.

Embora Snape tenha sido seu personagem mais marcante, eu nunca vi um filme em que Alan não tivesse simplesmente arrasado com sua voz grave e suas expressões precisas. Não foi à toa que se tornou um dos meus atores preferidos e sempre será.

Como lindamente disse J.K. Rowling “My thoughts are with Rima and the rest of Alan’s family. We have all lost a great talent. They have lost part of their hearts.” 

Fãs homenagearam Alan Rickman no parque do Harry Potter
Fãs homenagearam Alan Rickman no parque do Harry Potter

E depois de duas notícias tristes, eis que surge aquela que venho esperando há mais de dez anos: O ELENCO DE FRIENDS VAI SE REUNIR PARA UM ESPECIAL DE DUAS HORAS.

Só que como alegria de fã dura pouco, hoje saiu nos sites que o Matthew Perry não vai participar. Oi? COMASSIM NÃO VAI TER CHANDLER BING?

É como anunciar a volta de Sex and The City sem a Samantha. Gossip Girl sem Blair. The O.C. sem Ryan. How I met your mother sem Barney. Buchecha sem Claudinho.  You’ve got the idea.

Se é para fazer uma reunião tão esperada, que a façam direito!

#WeAreAllChandler

Foram muitas emoções para apenas uma semana…

Até a próxima!

 

Contra a ditadura do bronzeamento

tirinha

A pior época do ano é de dezembro à Quarta-Feira de Cinzas. Primeiro porque baixa o espírito de porco e começa a falsidade de gente que tenta ferrar a outra o ano todo desejando coisas cafonas e fazendo textão é verão. Segundo, porque além de ser verão, janeiro é um imenso pré-Carnaval até de fato chegar a esse feriado horroroso.

São 500 fotos de nego numa praia qualquer da Região dos Lagos querendo tirar onda como se tivesse em Ibiza, como aquelas dos pés deitados com a praia de fundo. WTF? Quer fazer inveja no saci? Mostrar que a depilação na virilha tá em dia? Que coisa ridícula!

Mas o pior de tudo são aqueles que não tomam conta da própria vida e querem dar pitaco na dos outros com aquele “NOOOOOSSA, TÁ PRECISANDO PEGAR UM SOL HEIN?”.

Não, eu não preciso pegar sol porque o mundo acha que essa cor de cobre derretendo no Saara é bonito. Inclusive, acho horrível. Mas não tô enchendo o teu saco enquanto só observo de longe você se bronzear estendida como um frango de açougue  enquanto se refresca na urina alheia que chamam de mar, estou? Então, vai garantir teu melanoma e me deixa porque não sou obrigada!

E não, não vou deixar de usar short nesse calor infernal porque acham que minhas pernas estão brancas demais, afinal você também não sai com saco de pão na cabeça por ser horroroso. #freegasparzinho

Portanto, seja vermelho camarão, marrom bombom, branco gasparzinho, fique da cor que quiser, só não faça nenhum tipo de comentário, porque ninguém te perguntou 😀

Ah, e feliz “ano novo”!

Não sei o que acontece à meia-noite

 

morticia

Não sei o que acontece à meia-noite. Em um minuto, fogos de artifício, uma folha arrancada do calendário, uma sensação de esperança. Se efetivamente não mudamos, pelo menos precisamos da ilusão.

É da ilusão que tiramos forças para traçarmos novas metas. É da ilusão que respiramos fundo para termos fôlego para mais doze meses de luta.

Precisamos dessa ilusão principalmente para deixarmos as coisas no passado. Essa ilusão nos permitirá uma vida nova.

Mas mudanças não são feitas de ilusão. E nem a gente.

Damos voltas e voltas e paramos no mesmo lugar, como os ponteiros do relógio.

Ufa, contagem regressiva.

(Fim das divagações)

Não sei o que acontece à meia-noite…

What’s going on?

brasil frança

 

Novembro de 2015 entrará para a história. Infelizmente, da pior maneira possível, marcado pelos atentados terroristas em Paris e pelo rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais. Ambos acontecimentos completamente distintos, porém, igualmente tristes.

E mesmo assim tá rendendo discussão nas redes sociais para saber qual tragédia foi pior. Os “patriotas” postando “não esqueçam Mariana” para quem adotou a bandeirinha da França e vice-versa. Sério mesmo? Esse é um debate tão produtivo quanto discutir o que dói mais: um chute no saco ou parir um filho. 

Como a gente pretende ter paz no mundo se a gente não consegue respeitar uma opinião diferente da nossa?

Enquanto acharmos que somente a nossa opinião, religião, visão política é a que conta, não adianta botar uma bandeirinha no Facebook, compartilhar notícias e vídeos de pessoas tocando “Imagine”, curtir, etc, se as atitudes não significam nada mais do que apenas isso. Atividades virtuais.

É assim que começa a intolerância, a principal razão de tantos conflitos no mundo.

O pior é que o chorume não para por aí. A xenofobia, como já era de se imaginar, está pior do que nunca. Os refugiados, logo os que mais sofrem, os que deixaram tudo para trás para não morrer em seu país, estão sendo visto como terroristas; há países querendo fechar suas fronteiras… tudo isso porque um dos terroristas responsável pelos ataques à capital francesa tinha um passaporte sírio e teria entrado pela Grécia como refugiado. Mas e quanto aos outros terroristas que eram franceses? Coerência, cadê?  Com o medo e a insegurança, as pessoas sentem a necessidade de direcionar toda essa raiva e angústia a um determinado grupo, generalizando-o.

E aí sobra para os muçulmanos, começam a culpar o islamismo… A intolerância religiosa passa a ser o pretexto usado para justificar as guerras, mas a gente sabe que o buraco é mais embaixo.

Portanto, adote a bandeira que quiser, reze se acreditar nisso, mas comece sendo você a mudança que quer para o mundo. Pode começar levantando essa bunda da cadeira e levando galões de água aos postos da sua cidade para que possa ajudar Mariana e Governador Valadares…

 You see, war is not the answer. For only love can conquer hate. You know we’ve got to find a way to bring some lovin’ here today

 

Enfim, em meio a tanta informação, tantos links, tantas opiniões, selecionei alguns que julguei interessantes (e bem pesquisados) sobre os casos atuais, para compreendermos melhor o que está acontecendo:

Antes de comentar sobre Europa e Oriente Médio, procure saber um pouco de História

Texto de Gabriela Cunha Ferraz

“Me parece fundamental conhecer a história moderna da humanidade, antes de manifestar qualquer opinião sobre os trágicos acontecimentos que testemunhamos na Europa, na África e no Oriente Médio. Se não nos debruçarmos sobre os fatos históricos que nos fizeram chegar até aqui, seremos, apenas, mais alguns dos fantoches facilmente manipulados pelas mídias e pelas grandes potências interessadas no caos e na manutenção da guerra.

O islamismo foi a última religião monoteísta a ser criada, derrotando o império romano e dominando a região que hoje forma Síria, Líbano, Irã, Iraque e Jordânia. Foi nessa época que as cruzadas cristãs, vindas da Europa, invadiram o oriente para recuperar aquele território, usando, desde então, o nome da religião. O mesmo aconteceu com missões de Jesuítas que vieram ao Brasil para evangelizar nossos índios e ocupar nossas terras, mas essa é uma outra história…”

Leia o texto completo aqui.

—–

Tem um texto rolando no Facebook, da Aline Andrade Pereira, que achei muito bonito e mostra um lado que poucas pessoas enxergam em momentos de alta tensão e medo como  o que vivemos:

“Para cada terrorista que perpetrou a matança hoje em Paris tem dezenas de taxistas levando as pessoas de graça pelas ruas e outras dezenas de parisienses abrindo suas casas para desconhecidos. Para cada executivo da Vale tem dezenas de pessoas doando água e alimentos para os atingidos em Mariana e Governador Valadares. Para muitas tragédias em zonas de conflito (não vou dizer todas) tem uma equipe do Médicos Sem Fronteiras trabalhando graças a doações de pessoas como eu e você. Para cada executivo da indústria cultural querendo barrar a liberdade na rede existem dezenas de pessoas legendando episódios de seriados e filmes de graça, compartilhando música e informação. Para cada pessoa que escreve hashtag bolsomito tem um exército de miçangueiros sendo treinados nos bancos de Humanas. Para cada Eduardo Cunha tem dezenas de coletivos indo as ruas defender os direitos das minorias. Para cada calça saruel que é confeccionada em grandes lojas que utilizam mão de obra escrava tem dezenas de jovens criando moda própria e sustentável. Para cada playboy queimando morador de rua tem gente da mesma idade recolhendo alimentos para asilos, creches e orfanatos. Para cada menina que sofre bullyng por causa do peso ou do cabelo surgem novas meninas gritando foda-se. Para cada pensamento de ódio tem bilhares de pessoas emitindo pensamentos bons em forma de oração, mantra, reza, batuque, energia, vibração ou só pensamento mesmo. Se você acha que a Humanidade piorou muito pegue um livro de História. Volte no tempo 500, 1000 ou 2000 anos e me mostre quando tivemos paz? Hoje temos poderio bélico inigualável e informação que circula. Essa é a diferença. E pelo menos ainda há o espanto. Há 1000 anos seria tudo normal.
Em suma: não é que o Mal venceu. Ele só tem uma equipe de marketing melhor.
E olha que eu nem sou otimista…”

—-

E por último, um motivo para não ter colocado nenhuma bandeirinha na foto do perfil, é algo tão simples e tão óbvio que quis compartilhar também 🙂

Texto de Clair Doucy

“if every day I was to change my Facebook profile picture into the translucent flag of the countries where people had died atrocious deaths that day—atrocious, unnecessary deaths by bullets, bombs and chemical weapons, as well as economic and environmental crimes we are yet to name—it would represent all the colors of the rainbow. (…) So, Facebook, give me a symbol that represents the scope of global suffering and I will wear it.”

Leia mais aqui.

 

 

Pelo direito de não saber tudo

Já dizia algum filósofo da internet (ou não, não lembro onde li isso) que “é melhor ficar calado e pensarem que você é um idiota do que abrir a boca e terem certeza”.

Num lugar onde topo mundo opina sobre tudo “com tamanha propriedade”, chega a ser inacreditável a quantidade de merda besteira que lemos por aí. O mundo de hoje (ia falar “a sociedade” p/ soar ainda mais chata) cobra uma opinião formada sobre tudo. O que você acha do casamento gay? Você é contra ou a favor do aborto? E a legalização da maconha? E o impeachment da Dilma?

Quanto tudo o que você tem vontade de falar às vezes é: Não me interessa, f***-se! NÃO SEI! Simplesmente porque, verdade seja dita, a gente não se importa a ponto de se aprofundar em boa parte das coisas que estão sendo discutidas. Por isso, acabamos repetindo velhos discursos cheios de lugares-comuns sobre o que está sendo amplamente divulgado porque “pega bem”. Há uma necessidade de autoafirmação que chega a ser inacreditável. As pessoas precisam mostrar não só tudo o que elas estão fazendo, comendo, aonde estão indo, com quem estão, como também dizer absolutamente tudo o que pensam.

Muitas vezes, não há reflexão, não há pesquisa, não há fundamento. Tudo #semfiltro (dica: usem esse recurso apenas quando se tratar de fotos)

E se alguém discordar de você…

A intolerância reina soberana na internet.  É petista, tucano, evangélico, ateu, católico, comunista, todo mundo em pé de guerra. Como se alguém fosse mudar a mentalidade do outro com um textão que ninguém nunca lê até o final no facebook, né?

Não estou fazendo apologia à alienação, pelo amor de (insira aqui a entidade superior que você acredita), só não se sinta “obrigado” a falar do que você não entende. É absolutamente normal e aceitável não ser um expert em todos os assuntos e querer pedir uma ajuda às placas ou aos universitários (beijo p/ quem entendeu a minha referência idosa) de vez em quando.

Desta forma, evitaríamos comentários como:

“É compreensível a atitude dos rapazes que prenderam o jovem nu ao poste devido aos altos índices de violência que assolam o país.”

“Tá com pena? Adote um bandido!”

Rachel Sheherazade 

“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica. Será que são médicas mesmo? (e continua a defecação digital)”

Micheline Borges sobre a vinda dos médicos cubanos ao Brasil

“Tem muitos pais, tem muitas mães, que não concordam com essa aberração. Eu não acho bonito nem um homem e uma mulher, em público, ficarem se atracando. Tem coisa que é particular. Imagina duas mulheres ou dois homens, não acho bonito”.

Mara Maravilha (alguém ainda lembra dela?)

Já dizia Francis Bacon, “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada.”

Portanto,  informe-se! Leia bastante, leia tudo, principalmente as opiniões que divergem das suas, pois são essas que vão lhe fazer refletir! Procure fontes confiáveis, compare informações e se expresse. Afinal, o debate, quando bem embasado, só vem a acrescentar.

 

#Somos Todos (quem será a próxima vítima?)

Época triste a nossa, mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito! – Einstein

No dia 28 de agosto de 1963, Martin Luther King proclamou seu famoso discurso “I have a dream” que foi decisivo no Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos e mostrava sua esperança num futuro igualitário para brancos e negros.

“Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.”

No ano seguinte, Sam Cooke lançava “A change is gonna come”, após não ter conseguido se hospedar num hotel por ser negro.

Décadas se passaram desde então e embora tenha havido muitas conquistas, o ódio e a intolerância ainda estão presentes. É que agora, o preconceito latente vem à tona num espaço que lhe permite assumir outras identidades e se esconder. A internet acabou se tornando o refúgio de covardes preconceituosos, cuja existência é tão medíocre que a única forma que encontram de chamar a atenção é atacando e ofendendo da pior forma que conseguem.

Em julho deste ano, a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju que apresenta as previsões do tempo no Jornal Nacional, foi alvo de comentários racistas, como: “Não tenho TV colorida p/ ficar olhando p/ essa preta”; “Joga p/ cima, se voar é urubu, se cair é bosta”; “Vai fazer essas previsões na senzala, escrava”; daí p/ baixo.

Mais recentemente, a atriz Taís Araújo foi o mais novo alvo de comentários maldosos numa foto que postou em sua página no Facebook. Ao comentar o caso, ela não poderia ter sido mais elegante e perfeita em suas palavras, veja:

“É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebo uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça.

Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu! Por ironia do destino ou não, isso ocorreu no momento em que eu estava no palco do teatro Faap com o ‘Topo da Montanha’, um texto sobre ninguém  menos que Martin Luther King e que fala justamente sobre afeto, tolerância e igualdade. Aproveito pra convidar você, pequeno covarde, a ver e ouvir o que temos a dizer. Acho que você está precisando ouvir algumas coisinhas sobre amor.

Agradeço aos milhares que vieram dar apoio, denunciaram comigo esses perfis e mostraram ao mundo que qualquer forma de preconceito é cafona e criminosa. E quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado. A minha única resposta pra isso é o amor!”

E de fato, o amor é a resposta, é tudo o que você precisa, até porque “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”

E que as palavras de Nelson Mandela deixem de ser somente repetidas, e comecem a ser praticadas.

#SomosTodosMaju #SomosTodosTaisAraujo

O que nos torna humanos?

A princípio, a pergunta “O que nos torna humanos?” parece simples, já que são muitas as características que nos diferenciam de outras espécies. Poderíamos dizer que são nossas habilidades cognitivas, um telencéfalo
altamente desenvolvido, o polegar opositor. Mas será que são esses fatores que, de fato, nos tornam únicos?

De acordo com uma lista antiga da revista LiveScience, o que nos torna humanos são estas características: vida depois dos filhos (já que na maioria das espécies, as fêmeas se reproduzem durante toda vida até a morte); a longa infância (humanos permanecem crianças e dependentes da guarda dos pais por muito mais tempo que os outros primatas), enrubescer; a habilidade de controlar o fogo; a vestimenta; a fala; as mãos (os polegares opositores que cite ali em cima); a pele nua a não ser que você seja parente do Tony Ramos; a postura ereta mesmo que você tenha escoliose e cérebros extraordinários. Mais detalhes sobre essas características vocês podem ler aqui.

Pensando nesta questão, o fotógrafo e cineasta francês Yann Arthus-Bertrand entrevistou mais de 2 mil pessoas em 63 idiomas e percorreu 70 países em três anos, o que resultou no documentário Human, disponível no youtube.

Neste primeiro episódio, fala-se sobre amor em todas as suas formas, a condição feminina, abordando temas que envolvem as dificuldades do gênero; trabalho e diferenças entre pobres e ricos.

Vemos pessoas de diferentes idades e culturas falando com tanta sinceridade, que não tem como ficar impassível diante dos depoimentos. Há uma senhora que matou o marido pois era vítima de abuso, um sobrevivente de Hiroshima, uma transexual lembrando seu primeiro amor, um detento condenado à prisão perpétua falando de como ele aprendeu o que era amor com o perdão da avó de suas vítimas, um senhor lembrando de quando teve que cuidar de sua mulher que ficou inválida…

Um dos destaques é o depoimento de José Mujica, ex-presidente do Uruguai, falando sobre a sociedade de consumo, era mais ou menos assim:

“A maneira que vivemos e nossos valores expressam a nossa sociedade; nos apegamos a isso, e não importa se sou presidente. Pensei muito sobre isso, passei dez anos confinado, sete anos sem ler um livro, e tive muito tempo para pensar. Descobri isso: ou você é feliz com pouco, sem se sobrecarregar porque a felicidade está dentro de você, ou você não chegará a lugar nenhum. Isso não é uma apologia da pobreza, é uma apologia da sobriedade. Mas como inventamos uma sociedade de consumo em que a economia tem que crescer, porque se não cresce é uma tragédia, inventamos uma montanha de consumos supérfluos, em que temos que viver comprando e estamos gastando o tempo de vida com isso. Porque quando eu compro algo ou você compra, não a compro com dinheiro, compramos com o tempo de vida que tivemos que gastar para obter esse dinheiro. E a única coisa que você não pode comprar é a vida. A vida se gasta e é horrível gastar a vida para perder a liberdade”.

O documentário é fantástico com uma fotografia incrível, pois cada expressão, cada diálogo revelam uma lembrança, uma dor, um pedacinho da alma de cada um. É emocionante e nos faz pensar muito nesta questão…

Mas o que nos torna únicos?

Talvez sejam as nossas vivências, a empatia, a consciência de que acima da cor, da religião, da nacionalidade, somos todos feitos da mesma matéria.

Afinal, somos carne e osso, moldados por nossas histórias e marcados por nossos dramas.

Somos apenas humanos.

Fingimento

No princípio havia amor. Havia ciúmes. Havia brigas e reconciliações.

Depois foi só o silêncio. Aí foi-se a vontade. Foi-se o desejo.

Sobraram as palavras não ditas, que se sobrepuseram ao restante do afeto, sufocando-o.

Daí, o silêncio consentiu o fim.

A partir de então, a ansiedade de esbarrar com você na rua se tornou uma possibilidade incômoda a ser evitada. Um fingimento calculado. Um sorriso forçado.

Mesmo assim, quando o acaso nos reúne num mesmo espaço, involuntariamente sinto um calafrio. Observo de longe até você virar o rosto, daí olho para outro lugar fingindo estar distraída. Tornei-me uma fingidora fingida.

Finjo de indiferença o rancor, ao transparecer um leve descaso. Finjo alegria ao ouvir suas banalidades. Digo que foi bom te rever. Finjo, ao dar de ombros, que não lembro das ocasiões que você insiste em mencionar casualmente. Finjo até o “tudo bem?” da saudação.

Finjo alegria, enquanto disfarço a tristeza.

Me faço de boba. De esquecida. Vivo fingindo. Finjo tão completamente que chego a fingir que é dor, a dor que, de fato, sinto. Só não sou poeta.

Mas no fim, só havia fingimento. Havia disputas para ver quem sofria “menos”. Havia mágoa e rancor.

Depois foi só civilidade. Aí foi-se a esperança. Foi-se o sentimento.

Sobraram lembranças, que se sobrepuseram aos outros que cruzaram o nosso caminho, expulsando-os.

Daí, a memória consentiu o recomeço.