What’s going on?

brasil frança

 

Novembro de 2015 entrará para a história. Infelizmente, da pior maneira possível, marcado pelos atentados terroristas em Paris e pelo rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais. Ambos acontecimentos completamente distintos, porém, igualmente tristes.

E mesmo assim tá rendendo discussão nas redes sociais para saber qual tragédia foi pior. Os “patriotas” postando “não esqueçam Mariana” para quem adotou a bandeirinha da França e vice-versa. Sério mesmo? Esse é um debate tão produtivo quanto discutir o que dói mais: um chute no saco ou parir um filho. 

Como a gente pretende ter paz no mundo se a gente não consegue respeitar uma opinião diferente da nossa?

Enquanto acharmos que somente a nossa opinião, religião, visão política é a que conta, não adianta botar uma bandeirinha no Facebook, compartilhar notícias e vídeos de pessoas tocando “Imagine”, curtir, etc, se as atitudes não significam nada mais do que apenas isso. Atividades virtuais.

É assim que começa a intolerância, a principal razão de tantos conflitos no mundo.

O pior é que o chorume não para por aí. A xenofobia, como já era de se imaginar, está pior do que nunca. Os refugiados, logo os que mais sofrem, os que deixaram tudo para trás para não morrer em seu país, estão sendo visto como terroristas; há países querendo fechar suas fronteiras… tudo isso porque um dos terroristas responsável pelos ataques à capital francesa tinha um passaporte sírio e teria entrado pela Grécia como refugiado. Mas e quanto aos outros terroristas que eram franceses? Coerência, cadê?  Com o medo e a insegurança, as pessoas sentem a necessidade de direcionar toda essa raiva e angústia a um determinado grupo, generalizando-o.

E aí sobra para os muçulmanos, começam a culpar o islamismo… A intolerância religiosa passa a ser o pretexto usado para justificar as guerras, mas a gente sabe que o buraco é mais embaixo.

Portanto, adote a bandeira que quiser, reze se acreditar nisso, mas comece sendo você a mudança que quer para o mundo. Pode começar levantando essa bunda da cadeira e levando galões de água aos postos da sua cidade para que possa ajudar Mariana e Governador Valadares…

 You see, war is not the answer. For only love can conquer hate. You know we’ve got to find a way to bring some lovin’ here today

 

Enfim, em meio a tanta informação, tantos links, tantas opiniões, selecionei alguns que julguei interessantes (e bem pesquisados) sobre os casos atuais, para compreendermos melhor o que está acontecendo:

Antes de comentar sobre Europa e Oriente Médio, procure saber um pouco de História

Texto de Gabriela Cunha Ferraz

“Me parece fundamental conhecer a história moderna da humanidade, antes de manifestar qualquer opinião sobre os trágicos acontecimentos que testemunhamos na Europa, na África e no Oriente Médio. Se não nos debruçarmos sobre os fatos históricos que nos fizeram chegar até aqui, seremos, apenas, mais alguns dos fantoches facilmente manipulados pelas mídias e pelas grandes potências interessadas no caos e na manutenção da guerra.

O islamismo foi a última religião monoteísta a ser criada, derrotando o império romano e dominando a região que hoje forma Síria, Líbano, Irã, Iraque e Jordânia. Foi nessa época que as cruzadas cristãs, vindas da Europa, invadiram o oriente para recuperar aquele território, usando, desde então, o nome da religião. O mesmo aconteceu com missões de Jesuítas que vieram ao Brasil para evangelizar nossos índios e ocupar nossas terras, mas essa é uma outra história…”

Leia o texto completo aqui.

—–

Tem um texto rolando no Facebook, da Aline Andrade Pereira, que achei muito bonito e mostra um lado que poucas pessoas enxergam em momentos de alta tensão e medo como  o que vivemos:

“Para cada terrorista que perpetrou a matança hoje em Paris tem dezenas de taxistas levando as pessoas de graça pelas ruas e outras dezenas de parisienses abrindo suas casas para desconhecidos. Para cada executivo da Vale tem dezenas de pessoas doando água e alimentos para os atingidos em Mariana e Governador Valadares. Para muitas tragédias em zonas de conflito (não vou dizer todas) tem uma equipe do Médicos Sem Fronteiras trabalhando graças a doações de pessoas como eu e você. Para cada executivo da indústria cultural querendo barrar a liberdade na rede existem dezenas de pessoas legendando episódios de seriados e filmes de graça, compartilhando música e informação. Para cada pessoa que escreve hashtag bolsomito tem um exército de miçangueiros sendo treinados nos bancos de Humanas. Para cada Eduardo Cunha tem dezenas de coletivos indo as ruas defender os direitos das minorias. Para cada calça saruel que é confeccionada em grandes lojas que utilizam mão de obra escrava tem dezenas de jovens criando moda própria e sustentável. Para cada playboy queimando morador de rua tem gente da mesma idade recolhendo alimentos para asilos, creches e orfanatos. Para cada menina que sofre bullyng por causa do peso ou do cabelo surgem novas meninas gritando foda-se. Para cada pensamento de ódio tem bilhares de pessoas emitindo pensamentos bons em forma de oração, mantra, reza, batuque, energia, vibração ou só pensamento mesmo. Se você acha que a Humanidade piorou muito pegue um livro de História. Volte no tempo 500, 1000 ou 2000 anos e me mostre quando tivemos paz? Hoje temos poderio bélico inigualável e informação que circula. Essa é a diferença. E pelo menos ainda há o espanto. Há 1000 anos seria tudo normal.
Em suma: não é que o Mal venceu. Ele só tem uma equipe de marketing melhor.
E olha que eu nem sou otimista…”

—-

E por último, um motivo para não ter colocado nenhuma bandeirinha na foto do perfil, é algo tão simples e tão óbvio que quis compartilhar também 🙂

Texto de Clair Doucy

“if every day I was to change my Facebook profile picture into the translucent flag of the countries where people had died atrocious deaths that day—atrocious, unnecessary deaths by bullets, bombs and chemical weapons, as well as economic and environmental crimes we are yet to name—it would represent all the colors of the rainbow. (…) So, Facebook, give me a symbol that represents the scope of global suffering and I will wear it.”

Leia mais aqui.

 

 

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