Pelo direito de não saber tudo

Já dizia algum filósofo da internet (ou não, não lembro onde li isso) que “é melhor ficar calado e pensarem que você é um idiota do que abrir a boca e terem certeza”.

Num lugar onde topo mundo opina sobre tudo “com tamanha propriedade”, chega a ser inacreditável a quantidade de merda besteira que lemos por aí. O mundo de hoje (ia falar “a sociedade” p/ soar ainda mais chata) cobra uma opinião formada sobre tudo. O que você acha do casamento gay? Você é contra ou a favor do aborto? E a legalização da maconha? E o impeachment da Dilma?

Quanto tudo o que você tem vontade de falar às vezes é: Não me interessa, f***-se! NÃO SEI! Simplesmente porque, verdade seja dita, a gente não se importa a ponto de se aprofundar em boa parte das coisas que estão sendo discutidas. Por isso, acabamos repetindo velhos discursos cheios de lugares-comuns sobre o que está sendo amplamente divulgado porque “pega bem”. Há uma necessidade de autoafirmação que chega a ser inacreditável. As pessoas precisam mostrar não só tudo o que elas estão fazendo, comendo, aonde estão indo, com quem estão, como também dizer absolutamente tudo o que pensam.

Muitas vezes, não há reflexão, não há pesquisa, não há fundamento. Tudo #semfiltro (dica: usem esse recurso apenas quando se tratar de fotos)

E se alguém discordar de você…

A intolerância reina soberana na internet.  É petista, tucano, evangélico, ateu, católico, comunista, todo mundo em pé de guerra. Como se alguém fosse mudar a mentalidade do outro com um textão que ninguém nunca lê até o final no facebook, né?

Não estou fazendo apologia à alienação, pelo amor de (insira aqui a entidade superior que você acredita), só não se sinta “obrigado” a falar do que você não entende. É absolutamente normal e aceitável não ser um expert em todos os assuntos e querer pedir uma ajuda às placas ou aos universitários (beijo p/ quem entendeu a minha referência idosa) de vez em quando.

Desta forma, evitaríamos comentários como:

“É compreensível a atitude dos rapazes que prenderam o jovem nu ao poste devido aos altos índices de violência que assolam o país.”

“Tá com pena? Adote um bandido!”

Rachel Sheherazade 

“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica. Será que são médicas mesmo? (e continua a defecação digital)”

Micheline Borges sobre a vinda dos médicos cubanos ao Brasil

“Tem muitos pais, tem muitas mães, que não concordam com essa aberração. Eu não acho bonito nem um homem e uma mulher, em público, ficarem se atracando. Tem coisa que é particular. Imagina duas mulheres ou dois homens, não acho bonito”.

Mara Maravilha (alguém ainda lembra dela?)

Já dizia Francis Bacon, “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada.”

Portanto,  informe-se! Leia bastante, leia tudo, principalmente as opiniões que divergem das suas, pois são essas que vão lhe fazer refletir! Procure fontes confiáveis, compare informações e se expresse. Afinal, o debate, quando bem embasado, só vem a acrescentar.

 

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