O que nos torna humanos?

A princípio, a pergunta “O que nos torna humanos?” parece simples, já que são muitas as características que nos diferenciam de outras espécies. Poderíamos dizer que são nossas habilidades cognitivas, um telencéfalo
altamente desenvolvido, o polegar opositor. Mas será que são esses fatores que, de fato, nos tornam únicos?

De acordo com uma lista antiga da revista LiveScience, o que nos torna humanos são estas características: vida depois dos filhos (já que na maioria das espécies, as fêmeas se reproduzem durante toda vida até a morte); a longa infância (humanos permanecem crianças e dependentes da guarda dos pais por muito mais tempo que os outros primatas), enrubescer; a habilidade de controlar o fogo; a vestimenta; a fala; as mãos (os polegares opositores que cite ali em cima); a pele nua a não ser que você seja parente do Tony Ramos; a postura ereta mesmo que você tenha escoliose e cérebros extraordinários. Mais detalhes sobre essas características vocês podem ler aqui.

Pensando nesta questão, o fotógrafo e cineasta francês Yann Arthus-Bertrand entrevistou mais de 2 mil pessoas em 63 idiomas e percorreu 70 países em três anos, o que resultou no documentário Human, disponível no youtube.

Neste primeiro episódio, fala-se sobre amor em todas as suas formas, a condição feminina, abordando temas que envolvem as dificuldades do gênero; trabalho e diferenças entre pobres e ricos.

Vemos pessoas de diferentes idades e culturas falando com tanta sinceridade, que não tem como ficar impassível diante dos depoimentos. Há uma senhora que matou o marido pois era vítima de abuso, um sobrevivente de Hiroshima, uma transexual lembrando seu primeiro amor, um detento condenado à prisão perpétua falando de como ele aprendeu o que era amor com o perdão da avó de suas vítimas, um senhor lembrando de quando teve que cuidar de sua mulher que ficou inválida…

Um dos destaques é o depoimento de José Mujica, ex-presidente do Uruguai, falando sobre a sociedade de consumo, era mais ou menos assim:

“A maneira que vivemos e nossos valores expressam a nossa sociedade; nos apegamos a isso, e não importa se sou presidente. Pensei muito sobre isso, passei dez anos confinado, sete anos sem ler um livro, e tive muito tempo para pensar. Descobri isso: ou você é feliz com pouco, sem se sobrecarregar porque a felicidade está dentro de você, ou você não chegará a lugar nenhum. Isso não é uma apologia da pobreza, é uma apologia da sobriedade. Mas como inventamos uma sociedade de consumo em que a economia tem que crescer, porque se não cresce é uma tragédia, inventamos uma montanha de consumos supérfluos, em que temos que viver comprando e estamos gastando o tempo de vida com isso. Porque quando eu compro algo ou você compra, não a compro com dinheiro, compramos com o tempo de vida que tivemos que gastar para obter esse dinheiro. E a única coisa que você não pode comprar é a vida. A vida se gasta e é horrível gastar a vida para perder a liberdade”.

O documentário é fantástico com uma fotografia incrível, pois cada expressão, cada diálogo revelam uma lembrança, uma dor, um pedacinho da alma de cada um. É emocionante e nos faz pensar muito nesta questão…

Mas o que nos torna únicos?

Talvez sejam as nossas vivências, a empatia, a consciência de que acima da cor, da religião, da nacionalidade, somos todos feitos da mesma matéria.

Afinal, somos carne e osso, moldados por nossas histórias e marcados por nossos dramas.

Somos apenas humanos.

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