O pornô feminino

Capas pretas, algemas felpudas, sapatos de salto, homens fortes, lençóis… Estas imagens aliadas a frases no imperativo são cada vez mais comuns nas prateleiras de best-sellers de todas as livrarias, desde que 50 Tons de Cinza foi lançado.

Além da tendência editorial ditada pela obra de E.L. James, já se foi época em que as mulheres compravam “Sabrina” às escondidas nas bancas. Elas agora são o público-alvo principal destas novas autoras que brotam mais que chuchu na cerca.

Esses livros se tornaram o pornô feminino. Sim, pornô, pois enquanto os homens se excitam ao verem um filme bem explícito, já que são seres visuais; as mulheres são imaginativas, ou seja, parte do prazer está em imaginar o personagem e cada cena conforme suas fantasias. E isso explica o grande sucesso dessas obras.

Mas, vocês, leitoras, estão perdendo tempo! Poderia ser você a estar ganhando rios de dinheiro, afinal, não é difícil bolar uma história de sucesso…

Para começar, seu protagonista tem que ser um deus grego, milionário, sedutor, irresistível, bom de cama, não querer se comprometer, maaaas só ter olhos para sua mocinha.

Sua mocinha obrigatoriamente tem que ser insegura, otária, sem graça, inexperiente, inocente e, de preferência, chorar bastante.

No decorrer da história, ela/ele tem que encucar com algo absolutamente idiota, remoer isso e agir estranhamente até tomar coragem para conversar sobre isso. O motivo pode ser algum trauma de infância, de relacionamentos passados ou insegurança, não importa. Mas no meio tempo, eles terão várias briguinhas menores por causa de atitudes que um tem em relação ao outro na tentativa de disfarçar o sentimento  que eles tanto relutam em ter.

Claro, que não podem faltar diálogos picantes para deixar qualquer mulher derretida e facilmente entregue.

E nas cenas tão esperadas, é importante ser criativa e saber muitos sinônimos para as genitálias.

É imprescindível que se use as palavras: intumescido, olhar de veneração, sorriso malicioso, rigidez, lábios entreabertos, sofreguidão, trêmula, arrepios, movimentos frenéticos, grito silencioso, arfar, remexer, contorcer, deslizar, respiração quente, dedos lentos e provocantes, estômago queimar, pegar fogo, e por aí vai… Seguindo essa linha, não tem erro!

Bônus: se a história for ambientada em séculos passados, com toda aquela história de ir “contra a moral e os bons costumes”.

Crédito: Dale Stephanos
Crédito: Dale Stephanos

 

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