Rachel Sheherazade: sinônimo de polêmica

Fala meus fieis leitores, tudo bem?


 

Com tanto ódio disseminado nesta rede que nos une contra a Rachel Sheherazade, como jornalista, quero palpitar e ouvir ler o que vocês tem a dizer. Contextualizando rapidamente para quem esteve em Marte e não sabe o que tá rolando, a jornalista em questão é âncora do Jornal do SBT e fez sua fama por comentar as notícias sem papas na língua, por assim dizer. Recentemente, em seu comentário sobre o rapaz que foi espancando e amarrado nu num poste no Rio de Janeiro, ela disse a seguinte frase:

“A atitude dos vingadores é até compreensível. O estado é omisso; a polícia, desmoralizada; a justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro”, declarou a jornalista. “(…) O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.

Obs: Antes de prosseguir,gostaria de deixar bem claro que aqui, não pretendo e nem vou questionar o ato em si, apenas a posição de Rachel enquanto jornalista de um jornal na TV aberta ao comentá-lo.

Primeiramente, devemos entender termos como liberdade de expressão e liberdade de imprensa. Veja abaixo o que Venício Lima, doutor em comunicação e autor do livro “Liberdade de expressão x Liberdade de imprensa”, diz sobre o assunto:

“A liberdade de expressão é um direito individual, básico e fundamental, vinculado à pessoa, ao jeito da fala, da expressão do pensamento, etc. A liberdade de imprensa, muitas vezes, é confundida com a liberdade de imprimir, que surgiu num período que não havia nada parecido com o que chamamos de imprensa hoje. Nos documentos que falam sobre essa liberdade, há sempre uma distinção entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa.O que, originalmente, era tido como imprimir manifestações individuais de pensamentos foi se transformando em liberdade de imprensa em função do surgimento de jornais e a transformação destes em grandes conglomerados, como as corporações que temos hoje.

 E isso foi se afastando cada vez mais da liberdade de expressão original, individual, do direito à fala. No entanto, os grandes grupos de mídia continuam fazendo uma equação entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa que não se justifica. Só faria sentido na medida em que a liberdade de imprensa contemplasse o direito à comunicação que é direto de cada um, individualmente, de se expressar através de qualquer meio, inclusive destas instituições que se transformaram em empresas comerciais.”

Caso ainda não tenha ficado claro, coloco aqui um fragmento de um artigo do Observatório da Imprensa sobre o assunto:

“A liberdade de imprensa e a de expressão não são excludentes. A liberdade de expressão é básica para a organização de um espaço público deliberativo onde se tematizam, debatem e discutem as questões de interesse geral, políticas, abertas à manifestação e intervenção de cada membro da comunidade. É ela quem garante os direitos individuais contra os abusos de poder, que impede que a imprensa seja submetida à ditadura da maioria, que terminaria por asfixiá-la.

A liberdade de imprensa, por sua vez, contribuiria para a livre circulação e socialização de informações e ideias com a preocupação de fiscalizar e controlar o abuso do poder e qualquer arbitrariedade contra os cidadãos. Nesse sentido, a liberdade de expressão necessita da liberdade de imprensa, cuja principal preocupação é realizar na e pela sociedade um espaço público e garantir o seu bom funcionamento. Neste contexto, o reconhecimento da liberdade de comunicação dos veículos não pode ser confundido com a liberdade de expressão dos meios de comunicação.”

De qualquer forma, conforme expresso em nota do Sindicato dos Jornalistas de SP, as opiniões emitidas por um jornalista durante o exercício profissional em seu  espaço de trabalho, em qualquer mídia, caracteriza-se como uma questão de liberdade de imprensa e não de direito pessoal. Para dar uma luz a estes profissionais em meio a tanta discussão sobre liberdade de expressão x de imprensa, foi criado o Código de Ética Profissional que determina as posturas que consideramos adequadas para o exercício da profissão. E este é o X da questão, o motivo de repúdio, ódio, contra a dita cuja.

De uma forma bem simplista, uma coisa é você falar numa roda de amigos que acha compreensível o ato já que o Estado é omisso e não oferece segurança ao povo, outra coisa é você falar isso no ar enquanto jornalista e formadora de opinião, já que embora possa não ter sido a intenção dela, a interpretação de uma grande maioria (que concorda e discorda dela) foi a de que “dá p/ entender porque lincharam o bandido”. E por que isso é tão grave? Por que tanta polêmica? Aqui aproveito para citar a nota de repúdio do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro: “Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência quando afirmou achar que ‘num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível'”.

Eis os pontos do Código de Ética referentes aos Direitos Humanos:

Art. 6º É dever do jornalista:

I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios
expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias
individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos,
negros e minorias;

XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,
econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física
ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Art. 7º O jornalista não pode:

V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;

Também atuando no sentido pedagógico que acreditamos que deva ser uma das principais intervenções do sindicato e da Comissão de Ética, realizaremos um debate sobre o tema em nosso auditório com o objetivo de refletir sobre o papel do jornalista como defensor dos direitos humanos e da democratização da comunicação.

Portanto, meus caros, enquanto jornalista, ela não pode sair falando o que bem entender, pois há um código de ética de sua profissão que deve ser respeitado antes de inflar suas narinas e proferir seus discursos revoltados, que deixada levar pela indignação, ainda termina com o chavão de “Aos que se apiedaram do marginalzinho, lanço aqui uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”.

Sheherazade, faça um favor ao Brasil, pelo menos PENSE antes de abrir a boca.

Ah, e só uma dúvida, por que o rapaz amarrado num poste é marginalzinho e o Justin Bieber, com 20 anos na cara, está só passando por uma fase de revolta da adolescência? Até onde eu sei, pichar muro, dirigir alcoolizado, com a carteira vencida e resistir à prisão também são crimes, não? Contradição, meus caros, contradição a gente vê nos discursos desta senhora.

Só p/ encerrar, minha opinião sobre o caso do menino é a seguinte: espancar a pauladas uma pessoa, deixá-la nua e amarrá-la num poste como se fosse um bicho é de uma crueldade tamanha, que por mais indignado que o povo esteja com a impunidade e falta de segurança nas ruas (e estão com toda a razão nisso), um crime não compensa o outro. Não vou proferir nenhum discuso pedante sobre o adolescente ser uma vítima social (até poque milhares de pessoas se encontram na mesma situação e é apena uma minoria que opta pela bandidagem), nem nada disso, só quis falar o que pensava rapidamente porque o blog é meu e eu tenho esse direito, oras hahahahahaha.  E agora passo a bola p/ vocês: o que acharam disso tudo? Da posição da Rachel Sheherazade, da ação dos “justiceiros”? Quero ouvir ler vocês!

Se você leu até aqui, obrigada e um beijinho na testa ;*


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Um comentário sobre “Rachel Sheherazade: sinônimo de polêmica

  1. Ana Carolina

    Eu sempre achei que o SBT contratou essa mulher justamente pra isso, causar polêmica, que é o que a emissora gosta!
    Concordo totalmente com você quando diz que ela não pode sair falando “o que bem entender”, direta ou indiretamente ela tem um poder de influenciar a opinião de muita gente.
    Se o povo quer justiça tem que reivindicar seus direitos da maneira correta, talvez até pensando um pouco melhor antes de votar em quem vai lhes representar e não sair por aí cometendo crimes só pq ngm faz nada.

    Bjs

    Curtir

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