A insustentável leveza do ser

Confesso que há não muito tempo, para mim, Milan Kundera era apenas mais um nome do pensador.uol com frases brilhantes. Um belo dia me recomendaram a leitura de “A insustentável leveza do ser”, título este que sempre me intrigou, e o li há uns 4 meses e hoje vi o filme.

Surpreendentemente, por não ser o tipo de leitura o qual estava habituada, amei o livro!

Estamos acostumados com aqueles romances ideais, onde a traição põe fim aos relacionamentos e depois de sofrerem muito, as protagonistas sempre acham um homem que as coloque num pedestal, as ame incondicionalmente e que sejam fieis.

Kundera não. Todos os seus personagens são adúlteros e não por isso, amam menos ou o seu amor, não tem valor.

Abordando conceitos que vão do ‘eterno retorno’ de Nietzche, o último movimento do último quarteto de Beethoven, acasos, Édipo, Parmênides, o conceito de kitsch até a merda como problema teológico, Milan nos leva à reflexões profundas sobre o ser, sobre como conduzimos a nossa vida e o que nos motiva a agir de certa forma, através de Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Isso soou petulante, mas enfim…

Tereza e Tomas são o exemplo de um dos casais mais imperfeitos que já li, mas com um amor infinito. Com eles aprendemos (por que não?) que a felicidade, para ambos, era estarem juntos – “A tristeza era a forma, e a felicidade o conteúdo. A felicidade preenchia o espaço da tristeza” e que “o amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos”.

Percebemos que com a traição vem a compaixão e que esse é o sentimento mais pesado para se sentir – “Não existe nada mais pesado que a compaixão. Mesmo nossa própria dor não é tão pesada quanto a dor co-sentida com outro, por outro, no lugar de outro, multiplicada pela imaginação, prolongada por centenas de ecos”.

O que eu mais gostei foi poder mergulhar na vida dos quatro personagens e através deles, ser conduzida (convidada?) a pensar sobre assuntos que até então teriam passado batidos por mim. Muito delicado e muito bonito ;D

Já o filme…

Difícil adaptar uma história como essa, até porque o melhor dela está justamente na parte filosófica, nas referências.. Já no filme, isso se perde um pouco e acaba se tornando uma história sobre Tomas pegando geral e seus vários relacionamentos amorosos.

Se eu não tivesse lido o livro, provavelmente não teria gostado do filme. Teria achado longo demais, cansativo e chato. Não gostei da Juliette Binoche como Teresa, achei que ela fez papel de retardada, sinceramente. Os outros atores mandaram bem, só o Franz que teve uma participação muito secundária, poderia ter sido melhor aproveitado… Mas eu não entendo nada de adaptação p/ cinema…

Enfim, se for p/ comparar os dois, o filme ficou muito superficial.. Mas só vendo e lendo p/ saber, certo? Então, aproveitem as férias p/ isso ;D

That’s all, folks :*

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4 comentários sobre “A insustentável leveza do ser

  1. O título desse livro sempre me chamou a atenção. Se eu soubesse que vc tinha lido tinha te perguntado se valia à pena.

    Vc já leu alguma coisa do Marçal Aquino? Li alguns pequenos textos e gostei bastante, estou pra ler um livro dele…

    Beijos!

    Curtir

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