Roger Waters – The Wall

Sendo mega fã ou não, a experiência de conferir uma lenda do rock ao vivo é sempre excitante e logicamente com o Roger Waters, não foi diferente.

Se eu conheço Pink Floyd, agradeço ao meu pai que sempre foi fã e sempre me incentivou a ouvir, mesmo eu achando chato (calma, não joguem pedras ainda!). Ouvir Pink Floyd é uma experiência um tanto única. Aquele psicodelismo característico do som deles vai te levando numa viagem que só quem já ouviu um álbum todo da banda sabe do que eu tô falando (não, não tô falando de tomar LSD nem nenhum outro tipo de drogas!).

Diferente da maioria dos shows, cujo objetivo é deixar os fãs roucos de tanto cantar, The Wall é um espetáculo visual, e para os frágeis, eu diria até um pouco indigesto. Ditadura, opressão, desigualdade, violência, genocídio, fome e tantos outros males da civilização são retratados no muro ao longo do show, com imagens tocantes e extremamente bem selecionadas para casarem com os efeitos incríveis.

Fogos de artifício não é nenhuma novidade em shows, já que funcionam perfeitamente para deixar a plateia em êxtase (vide Live and Let Die no show do Paul), mas no show de Waters foi ainda mais incrível, já que um avião cruza o Engenhão, ‘batendo’ no muro, o que vai originar uma explosão, e os consequentes fogos. Embora eu já tivesse visto na TV e já soubesse que o show começava assim, foi incrível ver ao vivo. Pais e filhos estavam com o mesmo brilhinho nos olhos de encantamento, digamos.

Evidente que um dos pontos altos foi “Another brick in the wall” com as crianças da Escola de Música da Rocinha. Na boa, tem refrão mais foda (legal não chega nem perto de descrever, só foda mesmo) que:

“We don’t need no education
We don’t need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
All in all it’s just another brick in the wall.
All in all you’re just another brick in the wall” ?
Logo depois, Roger canta “Mother” (que eu já tinha ouvido ao vivo com o Eddie Vedder, mas nada como o original) e aí pronto, já estava vidrada.

Falar em português e homenagear Jean Charles pode até parecer forçação de barra, mas casa perfeitamente com o conceito do álbum e do show. Acredito que tenha sido uma das homenagens mais bonitas que já vi um artista fazer, porque tocou num ponto frágil. É fácil vestir a camisa da seleção e falar ‘eu te amo’, difícil é reconhecer que uma grande injustiça aconteceu em seu país e trazer isso à tona na frente do país da vítima. Ou esse é só o modo como eu vejo as coisas, whatever…

Outro ponto alto foi “Comfortably Numb” e a julgar pelos gritinhos (não gritinho de fã histérica, mas demonstração de euforia normal) no Engenhão, acho que a maioria há de concordar comigo. The music speaks for itself, por isso, sem demais comentários.

Mais do que um espetáculo visual com músicas boas, acredito que é impossível sair do show sem ficar pensativa com tudo que foi mostrado. Afinal, será que realmente somos só mais um tijolo no muro? Ou pior, será que com tanta merda que a gente vê por aí, ficamos confortavelmente entorpecidos?

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3 comentários sobre “Roger Waters – The Wall

  1. Só ouvi elogios deste show; elogios que permeavam o “melhor show da minha vida”. Eu também gosto de Pink Floyd e gostaria de ter tido a oportunidade de ir. Realmente tudo isso parece fantástico demais, as crianças cantando essa música extremamente foda…

    E esse álbum conceitual, que obra prima, né? Daqueles que arrepia só de ouvir… fico imaginando isso ampliado nas dimensões de um estádio de futebol…

    Beijos!

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  2. Muito bom realmente!
    Estive a sorte de ver por primeiro em Porto Alegre.
    Este álbum é ótimo. É pra viajar mesmo. Gosto muito pelo fato das músicas terem algo a ver com ele, com sua vida, enfim.
    O filme é igualmente bom.

    Roger é demais…

    Leonardo

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